Um milhao de anos depois, vamos colocar isso aqui em dia.
Em janeiro eu estava com meu trabalho de auxiliar de um professor da
Universidade de Toronto, e vcs viram meu drama. De qualquer forma, contatos sempre ajudam, e
acabei sendo convidada pra fazer uma pesquisa para um setor do governo. Como
tudo que a gente ainda não tentou na vida, parecia fácil: Fazer uma revisão
bibliográfica sobre alterações em sistemas de água doce (rio, lagos, alagados) causadas
por alterações climáticas. Isso e uma tabela (excel) com os dados quantitativos
para futuras análises. Entrega em 4 meses (Mar-Jun). Sussi.
Coisa Linda de Deus ter um contrato com o governo canadense no meu
curriculinho, ainda mais com um salário! (aqui
rola muuuuuito trabalho voluntário antes de se conseguir alguma coisa) Mas por outro lado, eu já tinha um emprego, e
não queria fazer feio de atrasar alguma coisa.
Pensei: se sobrevivi a escrever minha tese de mestrado, trabalhando numa
ONG, lecionando em 4 turmas, e assistindo aula em BH enquanto morava no ES,
isso aí vai ser fichinha! Eu sei... levemente
megalomaníaca.
Topei. Calculei que poderia auxiliar o prof da universidade, e trabalhar 4
horas por dia pro governo, de casa.
A gente é boba demais mesmo, né?
No fim eu estava trabalhando 7 dias por semana, 12h/dia, sentadinha miseravelmente na frente
do computador cada um desses infindáveis 60 minutos. Que alegria parar pra
tomar banho enão pensar em nada durantes uns 15! No último mês até larguei a universidade pra
ter certeza de terminar o relatório. Sem vida social, sem salsa, sem nem
videogame. Ô derrota!
Pra melhorar, In Murphy We Trust! meu
computador deu pau, perdi um monte de coisas, e o Adobe parou de funcionar.
(Mas quem precisa ler pdfs pra fazer revisão bibliográfica, certo?) Desesperada,
contratei duas boas almas (Claudinha, Anjo de Candura!! Simon, quase o Mestre
dos Magos!), abusei muito do H, e quase morri de tanto ficar sentada derretendo
o cérebro pra fazer a bagaça. Quatro horas por dia... devo ter bebido água de
privada quando calculei aquilo, né? como posso ser tão B... bobinha?!
O trabalho em si é até bacana, mas naquele ritmo foi uma tortura cruel. Eu
só queria acabar, e jurava pra mim mesma que nunca mais ia fazer aquilo. Mas é
igual promessa de bêbado.
No fim eu entreguei quase 400 artigos, umas 40 paginas de relatório, e uma
tabela muito louca. Até hoje não tive
resposta. Nem eu nem os outros 2 pesquisadores que tb foram contratados. Desde
que me paguem, to feliz.
Serviu pra duas coisas: 1) eu entendi o que H sente com o pos doc dele,
quando ele deita pra dormir e diz “Essa é a melhor hora do dia! É quando eu não
posso fazer mais nada”. Ainda acho terrível viver assim, mas agora ao menos eu
sei exatamente como ele se sente, e não reclamo mais quando ele fala isso. Mas
temos que achar uma solução!
2) decidi que quero um trabalho mais divertido.
E foi aí que eu tive outra brilhante idéia...

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