quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Trabalho de verdade


Um milhao de anos depois, vamos colocar isso aqui em dia.

Em janeiro eu estava com meu trabalho de auxiliar de um professor da Universidade de Toronto, e vcs viram meu drama.  De qualquer forma, contatos sempre ajudam, e acabei sendo convidada pra fazer uma pesquisa para um setor do governo. Como tudo que a gente ainda não tentou na vida, parecia fácil: Fazer uma revisão bibliográfica sobre alterações em sistemas de água doce (rio, lagos, alagados) causadas por alterações climáticas. Isso e uma tabela (excel) com os dados quantitativos para futuras análises. Entrega em 4 meses (Mar-Jun). Sussi.   

Coisa Linda de Deus ter um contrato com o governo canadense no meu curriculinho, ainda mais com um salário! (aqui  rola muuuuuito trabalho voluntário antes de se conseguir alguma coisa)  Mas por outro lado, eu já tinha um emprego, e não queria fazer feio de atrasar alguma coisa.

Pensei: se sobrevivi a escrever minha tese de mestrado, trabalhando numa ONG, lecionando em 4 turmas, e assistindo aula em BH enquanto morava no ES, isso aí vai ser fichinha!   Eu sei... levemente megalomaníaca.
Topei. Calculei que poderia auxiliar o prof da universidade, e trabalhar 4 horas por dia pro governo, de casa.

A gente é boba demais mesmo, né?

No fim eu estava trabalhando 7 dias por semana,  12h/dia, sentadinha miseravelmente na frente do computador cada um desses infindáveis 60 minutos. Que alegria parar pra tomar banho enão pensar em nada durantes uns 15!  No último mês até larguei a universidade pra ter certeza de terminar o relatório. Sem vida social, sem salsa, sem nem videogame. Ô derrota!



Pra melhorar, In Murphy We Trust!  meu computador deu pau, perdi um monte de coisas, e o Adobe parou de funcionar. (Mas quem precisa ler pdfs pra fazer revisão bibliográfica, certo?) Desesperada, contratei duas boas almas (Claudinha, Anjo de Candura!! Simon, quase o Mestre dos Magos!), abusei muito do H, e quase morri de tanto ficar sentada derretendo o cérebro pra fazer a bagaça. Quatro horas por dia... devo ter bebido água de privada quando calculei aquilo, né? como posso ser tão B...  bobinha?!

O trabalho em si é até bacana, mas naquele ritmo foi uma tortura cruel. Eu só queria acabar, e jurava pra mim mesma que nunca mais ia fazer aquilo. Mas é igual promessa de bêbado.

No fim eu entreguei quase 400 artigos, umas 40 paginas de relatório, e uma tabela muito louca.  Até hoje não tive resposta. Nem eu nem os outros 2 pesquisadores que tb foram contratados. Desde que me paguem, to feliz.

Serviu pra duas coisas: 1) eu entendi o que H sente com o pos doc dele, quando ele deita pra dormir e diz “Essa é a melhor hora do dia! É quando eu não posso fazer mais nada”. Ainda acho terrível viver assim, mas agora ao menos eu sei exatamente como ele se sente, e não reclamo mais quando ele fala isso. Mas temos que achar uma solução!
2) decidi que quero um trabalho mais divertido.

E foi aí que eu tive outra brilhante idéia...

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