sábado, 9 de abril de 2011

o treino



Escrevi contando do emprego novo (instrutora de dança), e perguntaram como funciona. Em  linhas gerais, é assim:

1-Você se inscreve e deixa um currículo. O meu deve ter sido particularmente esquisito. “Mestrado em Ecologia, Conservação e Manejo de Vida Silvestre” não impressiona muito quando vc quer ser professora de tango. Acredito que o fato de ser brasileira tenha me dado uma ajudinha. É que os gringos não sabem que o “Brasil sambista e dançante por natureza”, onde o povo não tem ossos na coluna, é da Bahia pra cima. Junto com o Rio, claro. E lá fui eu, paulistinha-mineira-capixaba-catarinense, mostrar o requebrado que eu (ainda) não tenho.
Acho que me contrataram só pra poder falar pros alunos que a a professora de samba é brasileira. Fica bonito na fita, né? Vou mostrar esse video pra eles, e dizer que no Brasil todos os bebês são assim. (cliquem ali gente, vale a pena!)

2-Depois vem a entrevista, que acho que é igual em todos os trabalhos do mundo.

3-E em seguida começa a diversão! 3 dias de treinamento, enquanto eles te avaliam. Se gostarem, vem o contrato (de um ano, e cheio de detalhes, por ser uma franquia).

 Dei sorte! Agora estou na segunda das 3 semanas de treinamento. Neste tempo eu tenho que aprender ao menos os 4 passos básicos de 11 danças diferentes, e fazer testes relativos a vídeos institucionais.

Tudo dando certo, mês que vem terei meus primeiros alunos! Todos bem iniciantes. Depois todos nós vamos progredindo, porque o treino nunca termina.

 Nem tudo são flores, claro. Os pés doem loucamente. Sapato de dança não é confortável. Pra ser justa, ficar saltitando em cima do salto por 8 horas não tem muito como ser confortável... mas é beeeem mais divertido do que reunião de departamento de universidade.





meu novo emprego



Uma das coisas que eu mais gosto de fazer na vida é dançar. Infelizmente esse amor todo não necessariamente vem acompanhado de talento...  Mas depois de 2 ou 3 capirinhas, quem se importa, né? 

Mas sempre quis aprender de verdade. Me enfiei nas aulas que pude pagar, e quando deixei de poder, virei monitora voluntária na academia. Acontece que eu me mudo todo ano, e nunca dá tempo de progredir muito. Isso era uma frustração dessas que a gente guarda pra reclamar na terceira idade, ou pra empurrar pros filhos. (“ah, eu sempre quis aprender violino, mas não pude... você deveria aproveitar a oportunidade.” sabe como?)

Pois cá estava eu, à toa na vida, fora da época de inscrições para o doutorado, matutando o que faria com meu tempo este ano. A falta de grana rapidamente pôs fim às divagações, e me levou aos anúncios de emprego no jornal.

“Procura-se adultos extrovertidos, empolgados e simpáticos para se tornarem instrutores de dança. Nenhuma experiência é exigida; providenciamos o treinamento. É preciso ter disponibilidade para viagens”. Juro que não fui eu quem inventou esse anúncio. Se fosse, o salário seria mais alto...
O único ponto contra era a distância: 1 hora e meia (ou 25 dólares, o que era mais grave).
Fui lá mesmo assim. A entrevista foi ótima e eu fiquei pulando de felicidade. Imagine, ser paga pra aprender!! Era tudo o que eu queria.

Mas no dia seguinte fiz as contas, vi os horários do trem, e percebi que se aceitasse, sairia de casa 10:40 para voltar 00:00, e gastaria quase todo o salário só nas passagens. O contrato seria de um ano.  A gente precisava da grana, então desisti.

Mas não desisti.

Cacei a cidade inteira atrás de outra coisa parecida. E achei!! 
Então agora venho, muito feliz da vida e com os pés cheios de “band-aids”, contar que estou em treinamento para ser instrutora de dança de salão, em uma academia muito famosa a 10 minutos da minha casa! 
Mc Donalds é uma porcaria, mas eu Amo Muito Tudo isso!   kkkkk

see you next class!