domingo, 4 de dezembro de 2011

Decoração Canadense




Homenagem aos amantes da jardinagem na família! depois dessa, podem ficar à vontade pra deixar a criatividade rolar solta!

Com o outono se aproximando, eu esperava gloriosas folhagens douradas, laranjas e vermelhas pela cidade...  e elas chegaram!  acompanhadas de couves. Eles (as couves e repolhos) estão em todos os vasos e jardins. Arrasou meus paradigmas... 

Vai entender...

Ao menos niguém morre de fome na rua, né?

Mais umas fotinhos pra vcs verem que eu não inventei:



(Claro que eu devia ter postado isso quando ainda era outono, mas vai atrasado mesmo. Agora as pobres hortaliças já foram devidamente substituídas por pinheiros e outros organismos mais mais natalinos.)

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Zombie Parade

Ok, estou um mês atrasada. Mas antes tarde do que nunca, certo?

Pois é que lááá antes do halloween, fiquei sabendo de um desfile de zombies: The Zombie Parade. Imperdível!

 Agarrei H, pegamos as bikes e fomos procurar o evento. Depois de mil quadras, eu já estava quase desistindo, quando vi uns ensanguentados na rua. YEY!! Estamos no caminho certo!!

Chegamos ao parque onde haveria a concentração. A coisa era muito maior do que eu esperava. 


Todo mundo no clima! Era sangue pra todo lado. Algumas imagens até bonitas, como uma zumbi mocinha de vestido antigo (rasgado e ensanguentado, claro), passeando de bicicleta “vintage” azul bebê naquele dia nebuloso. Bacana. Pena que na época estávamos só com as câmeras do celular, que não deu pra nada por falta de luz. Roubei fotos na net mesmo, mas são do mesmo dia.


Também tinha gente discreta. Uma mulher com a filhinha, assitindo, assim como eu, mas quando ela se virou pra mim, tinha os olhos verde limão. Ao menos eu assumo que assustei :P. Não tava esperando, vai!

As makes era sensacionais! E depois eu descobri que tem um milhão de links na net ensinando a fazer zumbis. Alguns de tão baixo custo que fazem feridas com sucrilhos e algodão.
                          


só pra esclarecer: é óbvio que eu estava louca pra me ensanguentar tb! mas eu tinha um compromisso logo depois, e não ia pegar bem chegar lá com pedaços de pele caindo do rosto. Ou sucrilhos. 

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Thanksgiving

Thanksgiving



Hoje foi feriado. Não que isso mude muito minha vida (de desempregada há uma semana), mas o bacana é que é Thanksgiving. A festa teria surgido como uma comemoração de agradecimento pelas colheitas, e hoje em dia é comemorada com peru, tortas de abóbora, e todos os parentes disponíveis.

Até queria experimentar a tradição, mas já que eu não tenho família por aqui, nem nenhuma paixão especial por torta de abóbora, fui caçar algo fazer. Foi quando recebi um convite de um amigo colombiano pra ir a um parque de diversões chamado Wonderland. Ele tinha tickets extras, pra mim e pro H. FEEEELOMENAL!!
Sol, calor (muita sorte, pq já era pra estar frio e chovendo). E sem filas, pq a cidade inteira estava em casa comendo peru com a família!  Tudo isso, junto com a maior montanha russa do Canadá. Pura magia!


Ficamos pulando de um brinquedo pro outro, e eu ali, chocada com o namorado do meu amigo. É o gay mais macho do mundo! A gente lá, se esgoelando, e ele tranquillíssimo, despencando calmamente dos 70m de altura.

Mas ficou ainda melhor: o plano deles era voltar à noite, porque o parque faz Halloween.



É muuuuuito legal.

Parque de diversões à noite já é sinistro. Lembra “Palhaços Assassinos”, sei lá. Agora imagine a sensação com músicas macabras em todos os lugares. E eles decoram TUDO! Túmulos, teias de aranha, projeções nas paredes, fumaça, água vermelha... e pra ficar perfeito, funcionários fantasiados que te perseguem.  Lobisomem, corcundas, duendes, bobo da corte, vampiros, mascarados...  e o melhor era o Ruan soltando a franga total, cada vez que um desses chegava perto.  Eu não sabia mais se gritava ou ria. 




E 14 casas mal assombradas!! Fomos a 13. Nem dá pra chamar de “casa”, porque era muito mais elaborado. Por exemplo: Colhedores de milho. Dá muito medo. Acho que depois de tanto filme, eu tomo susto até com milho enlatado!  Mas eles montam um corredor tortuoso estreito, com palha e pés de milho seco, música e barulho de corvo, gritos, um monte caveiras, “sangue”, e gente fantasiada que surge do nada, pra tentar te dar um ataque cardíaco. Acho que eu tive uns 3 só ali. Mas os ataques de riso e o pavor do Ruan valiam a pena. Acho que H ainda tá com marcas, de tanto que apertei o menino.



Eram vááários ambientes: Mineração, Hospício, Londres antiga, Boate , Casa de Doces...  só não deu tempo de ir na dos palhaços. Mas acho que essa traria pesadelos. Talvez tenha sido melhor...

Ainda deu pra ir mais 2 vezes na montanha russa gigante. Muito mais legal à noite! Lindo demais com o parque iluminado! E mini shows. Bons e péssimos. Esse aqui eu gostei. Ao  vivo é muito mais legal que na filmagem, mas dá pra vcs terem uma idéia.

E no fim, foi o melhor Thanksgiving que eu poderia imaginar! Ano que vem quero fazer igualzinho. E ver os palhaços.

domingo, 2 de outubro de 2011

Lidando com as diferenças






As pessoas aqui são super educadas. Exceto os condutores de streetcar (bondinhos), mas isso é outra história. Dizem que canadense é conhecido por dizer “I´m sorry” (me desculpe) o tempo todo, e é verdade.
Exemplos: na Craiglist as pessoas estão oferecendo várias coisas de suas casas, de graça, e ainda dizem “ não posso providenciar a entrega, me desculpe”.   Fui devolver um DVD à biblioteca, e expliquei que não estava funcionando (um pouco preocupada com a possibilidade de quererem me cobrar por danos ao material, se achassem que a culpa era minha). Sem brincadeira, a moça me pediu desculpas umas 7 vezes, e se ofereceu outras 3 para tentar buscar outro DVD igual nas demais bibliotecas. Fiquei emocionada.

Mas as diferenças culturais às vezes me deixam fora de lugar. Algumas coisas que parecem totalmente naturais para eles, podem soar ofensivas para mim.

Cena: barzinho bacana, todos conversando animadamente, o garçon chega para pegar os pedidos e se desculpa por não ter conseguido entender: “me desculpe, não entendi porque as mocinhas estavam gritando”. Eu queria bater nele! E nem era eu que estava “gritando”. As meninas estavam conversando na boa. Soou super mal para mim, mas ninguém pareceu estranhar.

Cena: vou (de novo!) à biblioteca, que tem um sistema de coleta de material automático: envolve uma bandeja, um leitor de código de barras e poucos comandos no computador. Eu não sabia fazer, e a mocinha foi me ajudar: “faça isso, agora aquilo, aquilo outro...” e eu fui tentando seguir. Quando eu errei, ela simplismente disse “siga as ordens”. Me senti uma besta quadrada. Mas eu vi na cara dela que não estava sendo mal-educada. É só uma frase que soa mal em português. E há váaaarias assim.  O pior é pensar que também deve haver várias que eu digo porque soam normais em português, mas que devem soar grosseiras en inglês. Espero que alguém me avise...

Eu li em algum lugar “toda verdade absoluta é cultural”. Bem, eu ainda acho que a água, ao nível do mar, ferve a 100°C, independentemente de suas crenças e origens. Mas realmente a maior parte das nossas verdades são culturais. Vi uma enfermeira brasileira contando no blog que não podia falar pra ninguém que dava banho nos bebês várias vezes por dia no calor – disse que as mães aqui acham que banho em bebê não pode ser todo dia porque faz mal.

Ela disse também que ficava louca de ouvir as “desvantagens” da amamentação, que divulgam por aqui. Só para vcs terem idéia, uma das “desvantagens” é que o pai pode se sentir excluído – ao que H prontamente respondeu “ah é? Eles acham que só pai pode?”

O cara mais bacana do mundo



Eu trabalho com o cara mais bacana do mundo.

Ele é assim: super gostosão, super inteligente, incrivelmente bom dançarino,  teve diversas namoradas, todas parecidíssimas com atrizes maravilindas, aprende tudo instantaneamente, super popular, excelente professor de dança, mesmo tendo começado há 3 meses. Como eu sei de tudo isso? Ele ME DISSE! 

Ele também me disse que ficou chocado quando eu avisei que ele estava sendo um pouco arrogante no trabalho, e que isso não era legal. Mas me enganei, claro. Ele me disse que de forma nenhuma é arrogante, e que nunca ouviu isso de ninguém. Deve ter sido só impressão.
Minha, e dos 4 outros instrutores que trabalham ali.

Pra quem queria férias...

        



Hoje eu fui gentilmente despedida.

É, porque não fiz nada errado, então a chefa foi sutil. Sou pontual, esforçada, fico até mais tarde pra treinar, os alunos gostam de mim, o pessoal do trabalho também, colaboro com a organização do ambiente, me empolgo nas festinhas, e tal.

Acontece que uma ex-instrutora (e excelente dançarina) está voltando, e não vão mais precisar de mim.
É claro que também deve ter contado o fato de que todo mundo ali  começou a dançar seriamente por volta dos seis anos, com balé, jazz, sapateado, danças tradicionais e hip hop na adolescência. Daniella começou a competir aos 9. Eu descobri o que era Rumba aos 31,  seis meses e meio atrás. É, talvez isso tenha contado.

Mas não me arrependo. Acho que minha idéia foi brilhante: eu queria aprender a dançar, e não tinha grana. Então me ofereci pra ensinar os outros, claro!  Até agora me surpreende o fato deles terem concordado. Cada calo, bolha, pisadas e outros acidentes foram válidos.

Agora é pensar qual vai ser a próxima aventura, antes que a grana acabe.

Me desejem sorte!!

Enquanto isso, agora que não tenho mais problemas morais em falar de colegas de trabalho (porque não trabalho mais com eles), vou postar alguns desabafos de meses anteriores. 

domingo, 7 de agosto de 2011

Educação - NY vs Toronto



“Como vc tira 200 canadenses chapados de dentro de uma piscina?
Você diz a eles: “Com licença, vocês poderiam, por favor, sair da piscina?”

Acho que funcionaria. O povo aqui é super gentil. A frase mais comum é “I´m sorry” (me desculpe). Você esbarra em um deles sem querer, e eles pedem desculpa. Supermercado lotado, um carrinho vem em direção ao seu, e precisa passar: ele diz “I´m sorry”. É lindo!  Nunca fui empurrada no metrô lotado. Praticamente nunca fui mal atendida por atendentes. As pessoas seguram as portas para outras (o que ajuda pacas, pq as portas aqui são pesadíssimas, pra protegerem do frio).

Mas surgiu uma oportunidade perfeita, e corremos pra Nova York!

12 horas de ônibus por 150 pilas, viajar duas noites pra curtir 2 dias e meio, mas tá valendo!




A cidade é sensacional. O gatinho deve escrever mais detalhes depois. Eu adorei! Tudo o que gente vê nos filmes mesmo: Times square com milhares de outdoors, ruas cheias de táxis amarelos, zilhares de prédios, o Central Park lá no meio, pontes bacanas, e tudo o que vc quiser fazer, a qualquer hora. Beeeem legal. Mas duas coisas foram especialmente marcantes pra mim:

1)     1- Broadway. Assistimos Billi Elliot, e mudou minha perspectiva do que é teatro. Nunca vi nada nem parecido. Todos os atores eram ótimos, as cenas eram impressionantes, o som era perfeito, e o espetáculo todo tinha tantos efeitos que eu nem podia imaginar. É muito dinheiro pra montar aquilo tudo. É lindo demais. Da próxima vez eu compro os melhores lugares!

2)      2- A falta de educação dos novaiorquinos. Na minha curta experiência de quase 3 dias, me pareceu um povo absolutamente estúpido, ranzinza, e orgulhoso disso. Em praticamente todos os lugares onde pedi informação (atendente do metrô, do guarda-volumes, policial...), foi o mesmo protocolo: primeiro te ignoram, depois olham pra baixo, continuam o que estão fazendo, enquanto falam entre dentes uma explicação mal-dada, com tom de quem já repetiu 20 vezes, e por fim te olham de baixo pra cima como se vc fosse retardado. Tudo isso porque vc teve a audácia de perguntar, com um sorriso e um por favor, se um só cartão de metrô pode ser usado por duas pessoas. (pode!) Dá muita vontade de mandar... catar coquinho.

Enfim, quem quiser visitar a cidade, aconselho demais! É linda, vibrante, cheia de tudo! Mas vá preparado, ou vá com um amigo de lá, pra evitar passar raiva.

uma amiga que morou lá tentou me explicar "ah, mas todo mundo é assim por lá! é porque a cidade é muito grande..."  Mas a verdade é que podemos encontrar explicação para tratar mal qualquer pessoa, a qualquer momento, se quisermos. Ser educado é basicamente se colocar na posição do outro. É tratar como queremos ser tratados. Isso vale em qualquer ambiente, em qualquer tamanho de cidade, para qualquer pessoa.

Depois de NY, Toronto ficou com cara de província. Mas estou feliz de morar aqui. A vida em sociedade é bem mais agradável.
É muito bom poder ser educada sem me sentir idiota.

sábado, 9 de julho de 2011

Criatividade canadense

                                   

Lembram quando eu expliquei o que era a Craiglist?
Tem as coisas mais aleatórias sendo oferecidas, mas desta vez eles se superaram!
Na seção de doações do dia 8 de julho estão oferecendo: "Namorada irritante. Livre para ir para um bom lar!"
Dà uma olhada no anúncio.
Alguém se interessa?

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Claro que combina!

                                                               

Então foi assim:

Trabalho das 12:30 às 21:30, o que na verdade significa conseguir sair do estúdio às 22:00, na melhor das hipóteses. Os alunos acabam ficando depois da aula pra bater papo. (sério, gente! Quem já trabalhou em bar, restaurante, academia e afins sabe. Quem não trabalhou, eu explico: quando terminar sua aula VÁ EMBORA. Os professores, garçons e donos gostam de vc. Mas eu juro que todo mundo quer ir pra casa depois de ralar o dia inteiro. Eles vão sorrir e continuar o assunto que vcs iniciarem, mas estão loucos pra trocar de roupa e ir comer. Não fiquem lá mascando. É gafe.)

Pois bem, liguei pro gatinho e fomos pra academia. Mas acho que alguma coisa em mim o fez mudar de idéia (minhas olheiras? Pernas bambas? Cabelo numa linda trança embutida que se transformou num ninho de rato? Barriguinha roncando?). Menino bem educado que é, me convidou: “Está com fome? Vamos jantar comida japonesa?” Que orgulho desse homem!
Nisso já eram 22:30, e fomos passando na frente de todos os japoneses que conhecemos aqui perto; tudo fechado/fechando. Visitantes, cozinha aqui termina cedo!

Nisso ele já me avisa que esqueceu a carteira (eu esperava um pouco mais de criatividade nessa situação, mas vá lá. Eu estava mesmo com fome).

De repente achamos uma portinha, tudo escrito em japonês. Gente dentro. Blz!
Tipo um pub. De um lado, um grande quadro da Audrey Hepburn. Cortinas de barbante e naylon, com cristais. Do outro, uma tv gigante passando uma versão oriental de show de calouros. Praticamente “mangás cantantes”, Bizarro. Dentro, algumas adolescentes japonesas perdidas, dando risadinhas japonesas, tudo escrito com ideogramas.

Pedimos uma barca de sashimi (25 pilas! Bom demais), e chá gelado, pq eu tinha que acordar cedo no outro dia, e cerveja nunca é uma só.
A garçonete ficou meio desapontada “ No alcohol? Ah...”
Trouxe nosso chá, e dois cestinhos de aperitivos. Pãozinho e patê?  Castanhas? Torradinhas com manteiga? Saladinha?  Naããããõ...

Pipoca.   E.....  : VAGEM!    Claro, né? Afinal, o que poderia combinar mais com peixe cru do que chá, pipoca e vagem?!

Foi uma refeição muito divertida.
Pedimos a conta, que veio em ideogramas, óbvio.
Mas pedimos a tradução, pagamos, e voltamos pra casa, lamentando a pouca iluminação do local, que não nos permitiu registrar a coisa toda pra vcs.

domingo, 15 de maio de 2011

Glamour


Nem só de glamour vive uma escola de dança.
Pois lá estava eu, felizinha praticando minha "Flare Promenade" (é um passo bacana, confie em mim), quando chega o gerente com 3 borrachas, dessas escolares branquinhas mesmo.
Pensei: "é um brinde meio esquisito pra uma academia, mas tudo bem, né? vai que é uma piada interna, sei lá..."

Imagine minha cara ao ver aquele homem (russo, meia idade, elegantérrimo, de gravata, sapatos perfeitos) agachado apagando o chão!
Típico momento "uáderrel?!!"

Eu  e minha borrachinha nos agachamos também, pra ter certeza do que estava rolando. E era isso:
Eu, o gerente e outro instrutor, meia hora apagando os riscos que os saltos deixam no piso de madeira. Especialmente os praticantes de Flare Promenade.
Acho que vou ensaiar outro passo.
Ou pregar uma borracha no meu salto.

domingo, 8 de maio de 2011

Mãe



Felizmente eu tenho muitas mães pra agradecer. Bisa, Vó Anna, Vó Irene, tia Cíntia, tia Vânia, Donana, Iara (que alugava quarto para mim na faculdade, no "Castelo de Greiscol"), e outras que de um jeito ou de outro cuidaram, educaram, e sempre serão meus modelos. Tudo o que "eu quero ser quando eu crescer". Vocês são maravilhosas e eu sinto muita saudade.

Mas hoje eu quero agradecer especialmente à mais doidinha delas: minha mãe. Talvez a pessoa mais livre que eu conheço.
Queria confirmar o que vc já sabe: vc é uma excelente mãe, e eu não trocaria por nada. É graças a vc que eu sou capaz de adiar a possibilidade de doutorado pra virar instrutora de dança - e ficar 17 vezes mais feliz. Ou largar mão de mochilar pelo mundo pra voltar para o lado de quem realmente importa. (porque sem amor tudo é "uma inútil paisagem" .) Foi a melhor escolha que já fiz na vida. 


Tenho que dar o devido crédito ao meu pai, por equilibrar os pontos de vista. Fico muito feliz por terem me ensinado a enxergar o valor real das coisas: é melhor ter amor do que dinheiro; mas a falta de dinheiro pode estragar o amor. É melhor escolher um trabalho que te deixe feliz, mas esperar que o trabalho te empolgue todos os dias é besteira.  Comprar é gostoso, mas viver sem bagagens é mais legal. É melhor gostar das pessoas sem esperar demais delas. Os melhores prazeres da vida são gratuitos - mas dá pra aproveitar bem mais se juntarmos uma graninha. Sentir saudade é um bom sinal. Todo mundo tem alguma coisa boa para oferecer, se dermos oportunidade. Não vale a pena guardar mágoa; perdoar ou deixar pra lá torna a vida leve. 

         Eu acho que eu vim ao mundo a passeio, e que a melhor coisa que eu posso fazer é me divertir e ficar feliz. E você nunca tentou me fazer mudar de idéia. Obrigada!

sábado, 9 de abril de 2011

o treino



Escrevi contando do emprego novo (instrutora de dança), e perguntaram como funciona. Em  linhas gerais, é assim:

1-Você se inscreve e deixa um currículo. O meu deve ter sido particularmente esquisito. “Mestrado em Ecologia, Conservação e Manejo de Vida Silvestre” não impressiona muito quando vc quer ser professora de tango. Acredito que o fato de ser brasileira tenha me dado uma ajudinha. É que os gringos não sabem que o “Brasil sambista e dançante por natureza”, onde o povo não tem ossos na coluna, é da Bahia pra cima. Junto com o Rio, claro. E lá fui eu, paulistinha-mineira-capixaba-catarinense, mostrar o requebrado que eu (ainda) não tenho.
Acho que me contrataram só pra poder falar pros alunos que a a professora de samba é brasileira. Fica bonito na fita, né? Vou mostrar esse video pra eles, e dizer que no Brasil todos os bebês são assim. (cliquem ali gente, vale a pena!)

2-Depois vem a entrevista, que acho que é igual em todos os trabalhos do mundo.

3-E em seguida começa a diversão! 3 dias de treinamento, enquanto eles te avaliam. Se gostarem, vem o contrato (de um ano, e cheio de detalhes, por ser uma franquia).

 Dei sorte! Agora estou na segunda das 3 semanas de treinamento. Neste tempo eu tenho que aprender ao menos os 4 passos básicos de 11 danças diferentes, e fazer testes relativos a vídeos institucionais.

Tudo dando certo, mês que vem terei meus primeiros alunos! Todos bem iniciantes. Depois todos nós vamos progredindo, porque o treino nunca termina.

 Nem tudo são flores, claro. Os pés doem loucamente. Sapato de dança não é confortável. Pra ser justa, ficar saltitando em cima do salto por 8 horas não tem muito como ser confortável... mas é beeeem mais divertido do que reunião de departamento de universidade.





meu novo emprego



Uma das coisas que eu mais gosto de fazer na vida é dançar. Infelizmente esse amor todo não necessariamente vem acompanhado de talento...  Mas depois de 2 ou 3 capirinhas, quem se importa, né? 

Mas sempre quis aprender de verdade. Me enfiei nas aulas que pude pagar, e quando deixei de poder, virei monitora voluntária na academia. Acontece que eu me mudo todo ano, e nunca dá tempo de progredir muito. Isso era uma frustração dessas que a gente guarda pra reclamar na terceira idade, ou pra empurrar pros filhos. (“ah, eu sempre quis aprender violino, mas não pude... você deveria aproveitar a oportunidade.” sabe como?)

Pois cá estava eu, à toa na vida, fora da época de inscrições para o doutorado, matutando o que faria com meu tempo este ano. A falta de grana rapidamente pôs fim às divagações, e me levou aos anúncios de emprego no jornal.

“Procura-se adultos extrovertidos, empolgados e simpáticos para se tornarem instrutores de dança. Nenhuma experiência é exigida; providenciamos o treinamento. É preciso ter disponibilidade para viagens”. Juro que não fui eu quem inventou esse anúncio. Se fosse, o salário seria mais alto...
O único ponto contra era a distância: 1 hora e meia (ou 25 dólares, o que era mais grave).
Fui lá mesmo assim. A entrevista foi ótima e eu fiquei pulando de felicidade. Imagine, ser paga pra aprender!! Era tudo o que eu queria.

Mas no dia seguinte fiz as contas, vi os horários do trem, e percebi que se aceitasse, sairia de casa 10:40 para voltar 00:00, e gastaria quase todo o salário só nas passagens. O contrato seria de um ano.  A gente precisava da grana, então desisti.

Mas não desisti.

Cacei a cidade inteira atrás de outra coisa parecida. E achei!! 
Então agora venho, muito feliz da vida e com os pés cheios de “band-aids”, contar que estou em treinamento para ser instrutora de dança de salão, em uma academia muito famosa a 10 minutos da minha casa! 
Mc Donalds é uma porcaria, mas eu Amo Muito Tudo isso!   kkkkk

see you next class!

sábado, 19 de março de 2011

Expulsos do bar

Quer ser maltratado? entre aqui.





Gente, essa foi demais pra mim.

Todas as quintas-feiras o pessoal da universidade combina de conhecer algum pub novo. Depois eu coloco nossos favoritos aqui.

Pois bem, chegamos a mais um pub. The Only Cafe. Tinha tudo pra ser legal: pequeno, cheio de quadros e coisas na parede, música boa (Blues), bastante gente, boas bebidas. Uma cortina separa a área de "pub" de uma área adjacente onde fica um café. Um lugar em que o tampo de vidro das mesas contém tickets pra shows tão interessantes quanto "o jovem Frankstein" ou "O Defunto da Noiva Astronauta" só podia ser bacana.
Era dia de St. Patrick, e talvez por isso estivesse tão lotado.
Arrumamos uma mesa, H foi até o balcão e comprou uma jarra de cerveja.  Mais amigos foram chegando, e ainda estávamos esperando outros, já na terceira jarra de cerveja, quando chegou uma garçonete super transtornada. Foi a única vez que qualquer garçon chegou perto da mesa, porque cada hora um de nós ia até o balcão e comprava o que queria.
Super nervosa, ela falou qualquer coisa como "a gorjeta não foi suficiente, então pedimos que, quando vocês terminarem sua cerveja, se retirem".
 Eu e H não entendemos direito o que ela disse e perguntamos "what? I don´t understand." ("o quê? a gente não entendeu.") Ela simplesmente virou as costas e foi embora. A americana que estava com a gente ficou impressionada, e explicou pra gente o que ela disse. E era isso mesmo:  Nós estávamos ali, clientes comportados, gastando nossa graninha, sem correr pelado, sem jogar truco gritando "MEIA DÚZIA!!!, sem subir na mesa, sem nem roubar copos, nos servindo sozinhos, até que alguém deu gorjeta, mas "não era suficiente", e por isso fomos convidados a ir embora.

Choquei!  Eu sei que aqui a gorjeta varia de 15% a 20% do valor consumido, mas, em primeiro lugar, a cidade tem gente do mundo inteiro - nem todo mundo sabe as regras canadenses, e não estava escrito em lugar nenhum. Em segundo lugar, mandar clientes embora assim?!  é muita grosseria.  Como diria meu amigo Panda: "não sabem ganhar dinheiro".

Agora vocês já sabem: se não quiserem ser expulsos do boteco, paguem a gorjeta! integralmente.

É justo comentar: o canadense que estava conosco disse que nunca viu isso acontecer antes. Talvez ela apenas estivesse num mau dia.

Baratezas, groupons, e outros descontos





Este post é especial pra outros brasileiros de Toronto.

Mal cheguei e já morri de saudade dos "groupons" e "peixes urbanos" da vida (4 chopps e petisco por 12 pilas!).
Aqui também tem! e um monte.
Achei um Blog que junta várias promoções, todos os dias, e manda para seu email. Se quiser ver, clique aqui.

Mas as promoções canadenses são um pouco diferentes. Uma chatice  absurda é que em geral eles só aceitam um cupom por mesa,  então não posso fazer como no Brasil (chamar 10 amigos pra comer japonês, cada um pagando uma merreca).

Em compensação, há uma variedade muito maior de produtos: aulas de dança, luvas para usar smartphone (parece bobagem, mas com luvas normais é impossível, e sem luvas vc congela), viagens, corridas de kart, escaladas, roupas, etc.

Meninas, manicure e pedicure aqui é uma facada, então vale a pena olhar os "best deals". Por exemplo: hoje tem manicure+pedicure+massagem por 24!  pra cabelo tb tem pormoções aos montes.

e muda todo dia.

espero que tenha sido útil!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Enquanto isso, na Terrinha...


A gente aqui a -4, achando bom porque "tá esquentando!", recebe uma tirinha dessas, diretamente dos trópicos.
Eu tenho que vestir 2 calças e ficar o tempo todo com uma bota de neve horrorosa. Então ao menos eu vou rir um pouco de vocês! hahaha

Agora vcs podem ir pra praia, ou tomar uma bera na calçada do barzinho e rir de mim também.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Segurança e crimes canadenses

mapa da violência no mundo
A noção de segurança é muito diferente. Tanto que às dá vontade de rir, outras de socar. Toronto não é perfeita; não pode dar bobeira, há furtos e alguns assaltos a casas. Tem gente pedindo dinheiro na rua, apesar de serem poucos. Mas para qualquer brasileiro que viu os traficantes do Rio derrubarem um helicóptero na bala, é sensacional ver sair na primeira página do jornal que a cidade “fez luto” porque um (1) policial foi morto. Isso além todo mundo brincando tranquilamente com seus Ipods e similares no metrô , e coisas como um porta-casacos no museu sem nenhuma vigilância. Parece o paraíso! Uma carioca contou que logo que chegou, estudante, perdeu a bolsa no metrô. Mais tarde ela encontrou a bolsa, com tudo dentro, inclusive o dinheiro. Foi quando decidiu que queria ficar.

Mas por outro lado, as leis são super rígidas.

Atravessar fora da faixa dá multa. Xingar é crime. Isso mesmo: se um aluno “agredir verbalmente” um colega, a direção pode chamar a polícia. “Passar a mão” também é crime. Isso eu achei o máximo! Hahaha  O infrator (mesmo sendo menor de idade) pode ir a julgamento e ter que pagar uma multa de no mínimo 5.000 dólares. Uma lei dessas melhoraria muito as coisas no Brasil. 
Claro que os canadenses (chineses, bávaros, russos, porto-riquenhos) brigam, se xingam, e de vez em quando atravessam no lugar errado, mas aqui as chances de punição são reais.

Tudo é levado a sério.
 As janelas do nosso apto são travadas (abrem poucos cm, para proteger crianças e animais). Se você for espertão e destravar, dizem que os bombeiros vêm correndo.

E todo mundo morre de medo de fogo: não pode colocar churrasqueira na varanda de jeito nenhum. Quando contei que no sul do Brasil praticamente todos os apartamentos vêm com churrasqueira nas varandas, me olharam com quela cara de “tadinhos, tão primitivos! Não sabem evitar acidentes...”     Se eles soubesse o quanto a gente fica bêbado enquanto assamos a carne, nem quero saber o quanto eu ia ouvir...
Cá entre nós, alguém aí já viu botar fogo na casa fazendo churrasco?

Particularmente, eu não esperava isso de um povo que tem lareiras em casa.

Se quizerem ver bizarrices de segurança norte-americana, tem o cara que foi preso por portar uma arma... de LEGO! Mas foi solto em seguida. (depois eu coloco a história toda aqui, que é velha, mas merece)   e o outro coitado que foi preso nos EUA por ter ido à cozinha, 5:30 da manhã, fazer um café, estando desnudo. É, fica aí mostrandos as “partes”, dá nisso!
 Tenho que chamar o Capitão Nascimento pra ver essas coisas. 

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Toronto para mãos-de-vaca


Toronto é uma cidade cara, mas tem coisas surpreendentes quando se trata de economizar.
A primeira, que a Isa My Love (mocinha argentina mais mais fofa do mundo, esposa do meu primo), nos mostrou foi a Craigslist.

É um site onde pessoas anunciam o que querem comprar, vender ou doar. Aí é que fica interessante: como estamos em um país rico, parece que não há muito interesse em comprar coisas usadas. Ao mesmo tempo, aqui a preocupação em ser politicamente correto também é muito maior, e as pessoas se sentem culpadas em jogar coisas boas no lixo. O resultado é realmente impressionante, especialmente para uma brasileira acostumada a ver tudo "pela ora da morte": tem de TUDO neste site. Sem brincadeira, já vi mais de 5 pianos. Acho que se aparecer um de cauda, eu vou buscar mesmo que ocupe meu apartamento inteiro! (o que não é difícil...)   Há muitas coisas úteis - sofás aos montes, geladeira, fogão, máquina de lavar, de secar, mesas, estantes, TVs. É preciso apenas mandar um email para a pessoa para descobrir o endereço exato e marcar um horário para ir buscar. Claro que tem coisas boas e ruins. mas o melhor pra mim é ver a criatividade das ofertas. Tem gente oferecendo plantas, roupas usadas, gatinhos, cortes de cabelo, coisas de cozinha, e até giz pastel quebrado. Quem tiver curiosidade, clique aqui.Também havia uns ingressos pra "Justin Biber", mas aí teriam que me pagar bastante pra assistir...

Eu gostaria de pegar algum sofá-cama, mas não tenho coragem de alugar um carro grandão aqui, já que ainda não conheço as leis de trânsito, e tem neve na rua. O serviço de entrega de móveis é bem caro... mas quem tiver carro, ou souber dirigir direitinho pode alugar até pequenos caminhões em empresas como esta. Parece que é barato (paga-se uma taxa e mais "x" por km rodado).

A única preocupação que se tem que ter quanto a pegar móveis usados são os bed-bugs. São percevejos, se alimentam de sangue, e podem estar alojados na mobília. Em geral as pessoas avisam quando a casa é "bed-bug free", ou seja, não têm bed-bugs.  Nunca vi um, mas muita gente aqui tem medo.

Por enquanto eu peguei um microondas e um máquina meio antiga de café expresso. A moça doou porque a parte de fazer café comum não estava mais funcionando. aiai... quase que eu levei uma cafeteira com coador pra ela! afinal, cada um toma o que gosta, né? H tá se divertindo aqui com o brinquedo.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Moda Toronto: FreeStyle!


Tudo bem que com -14°C, é melhor ficar quentinho que bonito, mas bota rosa com meia branca por cima da calça cinza de ginástica, combinando com casaco de pele creme, bolsa azul e lenço florido é um pouco demais, né? E olha que pros padrões canadenses ela estava super discreta.
Não me entendam mal; não sou neurótica com roupas. Na dúvida, melhor ficar conforável, mas tem coisa que até assusta.
Outro dia no metrô – melhor experimento humano já criado – tinha uma mulher com ares de hip-hop, trajada a caráter (calça larga com jaqueta esportiva combinando, tudo cor-de-rosa), mas estava super frio, de forma que ela não podia ficar sem toquinha – que era preta. Solução: tacou um boné rosa, muito pequeno pra servir, que flutuava sobre a toquinha, sempre “de lado”, obviamente, como tem que ser no hip hop. “Bizarro” não é suficiente pra descrever aquilo...  pena que não dava pra eu registrar de forma educada.
Pra mostrar que não é implicância minha, outro dia saiu até no jornal uma matéria comentando o quanto o inverno “sacrifica o estilo dos canadenses". As botas vivem manchadas de sal (jogado em todas as calçadas para derreter a neve), os halls de entrada de qualquer lugar viram uma lama, os casacos ficam respingados, e você nem tem ânimo de lavar porque no dia seguinte vai sujar de novo. O negócio é ficar quentinho, e salve-se quem puder!
Obviamente existem pessoas bem vestidas. Mas no geral, ou é uma miscelânia completa (como seria um cego se vestindo sozinho, eu acho), ou um seguro “preto-sobre-preto”. 




Comentei isso (da quantidade de “people in black”) com um professor daqui, e ele, como bom cientista, me voltou no outro dia com uma estatística feita entre a universidade e sua casa: 95% das pessoas vestem preto, 4% tons de creme ou branco, 1% veste vermelho. Quem foge à regra realmente se destaca, normalmente com estilos, hã... peculiares. Mas ele é educado demais pra comentar essa parte. Ou não pega metrô...

Pra ser sincera, até que eu prefiro as bizarrices. Tanto preto cansa, e elas me fazem rir um pouco. Acho que vou comprar um casaco amarelo pra entrar no clima.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Love for Pasta



Pois é,  a gente é assim mesmo: precisei ir pra outro país pra tomar vergonha e aprender a fazer a receita talvez mais antiga da família. Macarrão!

Claro que eu não estou falando de abrir uma lata de pomarola, misturar carne moída e colocar no miojo (nem no penne mais bacaninha). Não que eu não curta. É só que isso eu já tinha feito, né? Estou falando da minha bisavó Elvira, italianada, que amassava quilos e quilos de massa na mão, e abria com uma garrafa de vilho, numa mesa linda e gigantesca feita de uma tábua só. Com ela não tinha essas frescuras de maquininha não... Cortava o macarrão na faca! E fazia “montinhos personalizados”, de acordo com as frescurites de cada um.  O molho era uma atração à parte: tomate de verdade e carne que ficava cozinhando o dia todo, pra virar janta à noite.

Nas próximas gerações a maquininha ganhou fã-clube. De criança, ficávamos eu e meus dois irmãos “ajudando” a fazer a massa, colocando pra secar no “varal de macarrão” e disputando quem ia ficar lá, felizão, girando a manivela. Minha mãe abriu mão do molho que leva 8 horas em prol de uma mistura da latinha com tomates de verdade. A carne até que varia... pode ser moída ou de verdade, mas também não fica o dia todo cozinhando. Ainda assim, é bom demais!
E aí chegou minha vez.  E cá estava eu, até hoje, matando a família de vergonha, fazendo miojo (com requeijão, que eu sou chique demais).

Mas fiquei aqui “torontiando”, e me deu saudade de comida de casa (o povo aqui chama de “confort food”, que eu acho um nome muito bom). Pois chamei minha mãe no msn, me enchi de coragem e de farinha, e lá fomos nós!






Estou orgulhosa de mim: amassei na mão, abri com rolo e cortei na faca!
Quem sabe da próxima vez até encaro fazer o molho! Dessa vez não resisti e usei a latinha.
E vou acabar comprando a máquina...
Eu acho que é a decadência do fim dos tempos mesmo...



quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Toma, distraído!


Já mencionei  que o tempo anda mega seco (toda água que poderia existir deve estar virando neve...). E já me avisaram que vai continuar assim mesmo quando chegarem as chuvas,  porque o sistema de aquecimento tira toda a umidade do ar. Já mencionei também que eu e o gatinho andamos nos dando vários "beijos chocantes" por causa desta secura toda, e eu já to até acostumando... o cobertor solta estalos elétricos quando a gente chacoalha para arrumar a cama, apesar de que ainda não consegui ver as faíscas. Choque no computador desligado, nas roupas, nas pessoas... Eu posso aceitar tudo isso. 
Mas agora, tomar choque no pãozinho de manhã é sacanagem!!  
Eu vim aqui apenas porque precisava compartilhar isso com alguém. Obrigada.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Apertamento


A foto acima é a do nosso novo lar, no dia em que chegamos e despejamos todos os nossos pertences ultra-selecionados do Brasil. O que aparece na foto é basicamente metade do que trouxemos, em metade da área do "apertamento". É um contraste razoável mudar de uma casa grande, com varanda grande, quintal, vista pro mar, área de lazer com mega-churrasqueira e mega-mesa, área de serviço à parte com máquina de lavar, muros de um metro de altura, ducha do lado de fora pra tirar água salgada do corpo, vista pro mar, dois banheiros que funcionam, um que não funciona, cozinha grande, duas salas grandes, três quartos, um escritório, e vista pro mar (tudo isso por R$600,00/mês); e vir morar num quarto-sala de 40 metros quadrados no décimo andar com vista pra outros prédios (por meros $800,00 dólares canadenses, que hoje valem um pouco mais do que o americano). Os contrastes não param por aí: em São Chico, um município com 41 mil habitantes espalhados num território de pouca cidade e muita mata, vivíamos numa praia distante do centro, e quando víamos 10 pessoas andando na praia fora da temporada era muito; em Toronto, cidade gigante para os nossos padrões, vivemos no centro, bem perto do "fervo". Mas estamos descobrindo  as grandes vantagens. A foto abaixo é da vista nordeste do nosso apê, no ponto em que as ruas Bloor e Yonge se encontram. São duas das principais ruas de Toronto, onde boa parte de tudo acontece. Ter todo tipo de mercado, shopping, restaurante, livraria, biblioteca, boate, pub, cervejaria, teatro, museu, e etcetera do lado de "casa" é s-e-n-s-a-c-i-o-n-a-l (quem nos conhece já deve ter percebido quem vos escreve...). Comer aqui é uma diversão em especial. Tudo fácil e variado, todo tipo de fast-food e restaurantes a la carte.  Comida chinesa (aqui existem umas três Chinatowns), tailandesa, japonesa (se eu pudesse todo dia...), coreana, indiana, vietnamita (to falando sério) e mexicana aos montes, e mais um bocado de restaurantes italianos (existe uma Little Italy), restaurantes portugueses, gregos, húngaros, belgas, e haja estômago. Não existem restaurantes self-service aqui da forma como estamos acostumados. Nesse aspecto, não senti falta alguma... mas outro dia comi um bife de fígado cheio de frescura (estava muito bom, devo admitir) e senti uma saudade da comida da minha mãe...
Vai ser difícil achar uma dobradinha, mas não vou desistir. Qualquer hora acho um restaurante mineiro por aqui.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Cultura - Museus gátis!!

  

Pense um prédio bem bacana, no centro da cidade. Cinco andares, carpete para não fazer barulho, plantas, janelas imensas com vista pra cidade.  Cds, Dvds, livros em todos os idiomas (deve ter até javanês ali), sobre tudo. Atividades  culturais para crianças. Internet gratuita. Ajuda para estrangeiros com dificuldades em inglês. Tudo gratuito. Esta é a biblioteca municipal. O mais massa é que há outras 98 pequenas versões dela. Qualquer material pode ser devolvido em qualquer uma. Também é possível reservar itens, e eles te avisam quando estiver disponível. Dá muito mais vontade de ler, né?
Acho que teríamos mais leitores no Brasil com um sistema desses.
Agora, se vc vai morar em Toronto e não gosta de ler, ainda assim vale a pena fazer um cartão da biblioteca. Aos sábados pela manhã, várias dessas bibliotecas começam a distribuir MAPs - Museum & Art Pass. Cada usuário com o cartão da biblioteca pode pegar um passe por semana para  atrações como a Galeria de Arte de Ontario (AGO), Casa Loma, ROM, Science Center of Ontario, Zoológico e outras. Cada passe dá direito a entrada para 2 adultos e até 4 crianças. Há um número limitado de passes, então é bom chegar cedo se quiser visitar as mais cotadas. Aqui tem uma lista dos passes e as regras gerais. Esta semana vou tentar ir ao Bata Shoe Museum. Gente , um museu só de sapatos!! Dri, vc tinha que ir comigo!! Hahahaha  Pertinho de casa. Acho que é um sinal...

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Males de inverno



Mas de tudo, o que cansa mesmo é entrar e sair dos lugares. 1) acorda em casa, tudo quentinho. Toma banho, sem molhar o cabelo pra ele não congelar lá fora, veste sua meia calça, a calça debaixo, um jeans, duas meias, a camiseta debaixo, outra de manga comprida, um super casaco, um cachecol, luvas, toquinha, calça uma bota de neve (geralmente feinhas que dói, e maior que seu pé, para caber as meias), e “voi lá”! Sai pros graus negativos que houver lá fora. Não tem muito como proteger os olhos, então de qualquer forma dói um pouco, mas acostuma logo (sim, poderíamos usar óculos, mas acontece que na tentativa de respirar através do cachecol, o vapor sobe e embaça as lentes).   Aí, quando vc já está se sentindo super à vontade, tem que entrar no metrô. E tira a toquinha, a luva, o cachecol, o casaco, e amaldiçoa sua calça dupla (ou tripla) e pensa se vale a pena tirar a blusa de manga. 10 min depois, chega na estação e coloca o casaco, o cachecol, a toquinha, as luvas e se pergunta se não dava mesmo pra ter ficado vestido durante míseros 10 min, só pra evitar este trampo. Mas agora é enfrentar o vento até a universidade. Uns 15 min. Chegando lá vc passa duas portas e tira a toquinha, a luva, o cachecol, o casaco, e pensa que é claro que vai ter que tirar a blusa de manga, afinal vai passar algumas horas aqui dentro. Mas em 20 min te convidam pra tomar um café na esquina. E vc fica calado enquanto pondera se vale a pena fortalecer laços sociais tomando o cafezinho ou ser levemente anti-social e evitar a maratona dos agasalhos.

Vou inventar uma bolha térmica, dentro da qual seja possível enfrentar até -40 °C de jeans, tenis e camiseta. Vai ser uma revolução!

Neve. É branca, e...?



Resumido, este era todo o meu conhecimento sobre a neve até a semana passada.
Agora eu sei que ela escorrega quando vira gelo (e se você não colocar sal na entrada da sua casa, dizem que nem correspondência chega),  que cai dentro do ollho (nada acontece, mas não é da dez sensações mais agradáveis),  que é mais quentinha que o vento (e por isso não faz diferença nenhuma tentar não pisar nela na esperança de congelar menos seus pés), e que é linda! E não precisamos de guarda-chuva, porque ela é seca. Ah, pode rir, mas a pergunta era justa, vai...  até então pra mim, água caindo do céu = guarda-chuva, independente do estado da água.  E neve não tira o senso de humor do povo daqui. Na rua eu me deixei enganar pelas caras fechadas, encolhidas, escondidas ou bravas enfrentando os -13°C, armadas com toquinhas e cachecóis. Mas chegando em casa eu vi bonecos de neve, uma carinha sorridente desenhada com gelo numa árvore, e até um iglu  (contruído por um vizinho iraniano, claro). Não consigo imaginar alguém ranzinza fazendo isso.
O tempo é mega seco. Todos os cremes pegajosos que eu nunca usava no Brasil, aqui são fichinha. A boca racha, o nariz sangra, a pele coça e vc aprende: protetor labial, vaporizador no quarto, quilos de hidratantes... e fica tudo normal. Menos o cabelo, que deve ser um nível mais avançado de aprendizado. Fica uma palha. Brilhante, mas palha. Vai saber...
E tem os choques! É tentar dar um beijinho na boca e só falta sair faísca. Faz até barulho, juro! Coisas desligadas também dão choque. Diz minha irmã que às vezes o cabelo fica “elétrico” e cola inteiro na cara. Vou pedir pra ela filmar.... tenho que ver isso!

Internacionalidades


Toronto deve ser realmente a cidade mais internacional do mundo.
Sendo brasileira, e sabendo a fama que temos mundo afora, confesso que estava um pouco apreensiva quanto à recepção que teríamos. 5 dias depois de chegar, ainda não sei o que os canadenses acham de nós, porque ainda não conheci um  único deles! Ao menos nenhum que tenha nascido aqui.
Fomos recepcionados por um casal de cientistas norte-americanos, que nos hospedaram e nos apresentaram a um casal belga-porto-riquenho – que por sinal nos emprestaram a casa! E ainda dizem que em países frios as pessoas não são hospitaleiras... Abrimos conta bancária com uma simpática moça da turquia, compramos celulares com um homem do paquistão que sente muitas saudades do clima ameno, aprendemos como conseguir um número de seguridade social com uma moça de Macao cuja avó ela acredita ter tido um caso com um portugês, fui chavecada por um mocinho (muito bem construído) do Irã, que conversava animadamente com um russo na fila da biblioteca, e fiz amizade com uma menina espanhola que também faz dança do ventre e adora abraços. Em comum, todas estas pessoas eram sorridentes e cheias de dicas. Acho que estou apaixonada por este povo!   Já pelo clima.... nem tanto.

Chegamos!





Nossos últimos dias no Brasil foram super festivos: deixamos nossa casona na praia = festa; H defendeu a tese = festa; minha tia fez aniversário de 50 anos dia 15 (= festa dia 13, 14, 15 e 16, mas perdemos os dois últimos dias), ou seja, estávamos quase desmembrados de tanta bebida, correria, comilança e sono. Foram 10 horas de vôo, mas ainda assim entrei no avião, comi, dormi e acordei em toronto. Dizem que houve muita turbulência, mas isso só deve ter servido para eu dormir mais gostoso. Não vi nada.

Chegamos. Demos sorte com o clima: a temperatura era a máxima da previsão ( -8°C). No aeroporto, tudo quentinho. Pouca fila na checagem de documentos, pouca fila no setor de imigração, e aí foi só esperar nossas malas, que felizmente nem chegaram a ser abertas pela inspeção. Só fiquei triste em ter perdido meu guarda-chuva...
O Professor importado do H chegou para nos buscar, trazendo casacos, luvas, gorros e cachecóis. Parece que isso é comum por aqui: os nativos, quando vão buscar “tropicais”, já levam todo o equipamento básico de sobrevivência. Sorte nossa!
Foi a primeira vez que vi neve. Lindo mesmo. Engraçado para mim ver tudo com cara de freezer. O estacionamento, de longe, parecia um cemitério: uma porção de coisas claras, retangulares, enfileiradas.
O Professor mora com a esposa, também bióloga, em um bairro lindinho, nos arredores da cidade. A sensação foi a de entrar num brinquedo de natal: todas as casinhas parecidas, com árvores secas, tudo coberto de neve, bem bonitinho.


Nos deram diversas instruções gerais sobre a cidade, mapas, camas e toalhas. Uns fofos! Gostaria de ainda ter a casona na praia, só para poder convidá-los para umas férias no verão, e mostrar o parque em que eu trabalhava, com suas dunas, rio, restinga, floresta, os amigos.... Vou sentir saudades daquela vida.

Coisas de aeroporto


Ok família, com 15 dias de atraso, mas vamos começar do começo.
Chegamos em São Paulo com todos os nossos pertences: 4 malas grandes (em voos internacionais são permitidas 2 malas de 32 kg cada por pessoa) e 4 pequenas (uma bagagem de mão de até 8 ou 10 Kg e uma bolsa por pessoa) e meu lindo guarda-chuva (sim, vc tem direito e levar um no avião). Pouco, se pensarmos que isso é tudo o que temos. Já se for pra carregar... é coisa pra k...  Mas isso era o de menos. Duro foi esperar mais de 12 horas no aeroporto. Chegamos cedo demais, com medo das enchentes de sampa. Vários fastfood e lojinhas depois, o negócio foi pagar a facada de 25 pilas pra usar a rede wireless do aeroporto e dormir no chão pra esperar.
Nosso plano inicial era ficar em um albergue até que nosso apartamento estivesse pronto. No último dia fomos convidados para ficar na casa de um dos professores do H – alegria!  o albergue custaria uns 80 dólares por dia pro casal. Sem grana, nada de charminho. Mas era o último dia, e eu não havia comprado nada que pudesse servir de presente para gringos. Muito chato chegar de mãos abanando, então lá fomos nós procurar alguma coisa no aeroporto.
Deve haver alguma lei obrigando lojas de aeroportos a serem tão caras quanto bregas. Qualquer lojinha natura daria de dez a zero nas coisas que encontramos em Guarulhos. Era uma tal de piranha empalhada pra todo lado que não dava pra entender. Acabou que tentamos o clássico da falta de originalidade: hidratante amazonico de cupuaçu, caixa de bombons (também amazônicos, que costuma ser sucesso na gringolândia) e livrinho de fotografias do BraZil. O livro nós compramos em livraria do aeroporto mesmo, mas mesmo assim, ao pagar a conta do freeshop, quase tive um filho verde de bolinhas roxas: 100 reais!! Os preços que eu havia visto eram em dólar... ridículo! Uma mini caixa de bombons (que depois decobri serem bem ruinzinhos) custou quase 50 reais! Ultraje. Não repitam meu erro. Na dúvida, passem num mercado municipal, comprem um bom café, um livro de fotos, ou um caminho de mesa coloridíssimo de “filé” e façam seus amigos felizes!  Nada de lojinhas de aeroporto. Foi mal, Brenda!