Mas de tudo, o que cansa mesmo é entrar e sair dos lugares. 1) acorda em casa, tudo quentinho. Toma banho, sem molhar o cabelo pra ele não congelar lá fora, veste sua meia calça, a calça debaixo, um jeans, duas meias, a camiseta debaixo, outra de manga comprida, um super casaco, um cachecol, luvas, toquinha, calça uma bota de neve (geralmente feinhas que dói, e maior que seu pé, para caber as meias), e “voi lá”! Sai pros graus negativos que houver lá fora. Não tem muito como proteger os olhos, então de qualquer forma dói um pouco, mas acostuma logo (sim, poderíamos usar óculos, mas acontece que na tentativa de respirar através do cachecol, o vapor sobe e embaça as lentes). Aí, quando vc já está se sentindo super à vontade, tem que entrar no metrô. E tira a toquinha, a luva, o cachecol, o casaco, e amaldiçoa sua calça dupla (ou tripla) e pensa se vale a pena tirar a blusa de manga. 10 min depois, chega na estação e coloca o casaco, o cachecol, a toquinha, as luvas e se pergunta se não dava mesmo pra ter ficado vestido durante míseros 10 min, só pra evitar este trampo. Mas agora é enfrentar o vento até a universidade. Uns 15 min. Chegando lá vc passa duas portas e tira a toquinha, a luva, o cachecol, o casaco, e pensa que é claro que vai ter que tirar a blusa de manga, afinal vai passar algumas horas aqui dentro. Mas em 20 min te convidam pra tomar um café na esquina. E vc fica calado enquanto pondera se vale a pena fortalecer laços sociais tomando o cafezinho ou ser levemente anti-social e evitar a maratona dos agasalhos.
Vou inventar uma bolha térmica, dentro da qual seja possível enfrentar até -40 °C de jeans, tenis e camiseta. Vai ser uma revolução!