segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Males de inverno



Mas de tudo, o que cansa mesmo é entrar e sair dos lugares. 1) acorda em casa, tudo quentinho. Toma banho, sem molhar o cabelo pra ele não congelar lá fora, veste sua meia calça, a calça debaixo, um jeans, duas meias, a camiseta debaixo, outra de manga comprida, um super casaco, um cachecol, luvas, toquinha, calça uma bota de neve (geralmente feinhas que dói, e maior que seu pé, para caber as meias), e “voi lá”! Sai pros graus negativos que houver lá fora. Não tem muito como proteger os olhos, então de qualquer forma dói um pouco, mas acostuma logo (sim, poderíamos usar óculos, mas acontece que na tentativa de respirar através do cachecol, o vapor sobe e embaça as lentes).   Aí, quando vc já está se sentindo super à vontade, tem que entrar no metrô. E tira a toquinha, a luva, o cachecol, o casaco, e amaldiçoa sua calça dupla (ou tripla) e pensa se vale a pena tirar a blusa de manga. 10 min depois, chega na estação e coloca o casaco, o cachecol, a toquinha, as luvas e se pergunta se não dava mesmo pra ter ficado vestido durante míseros 10 min, só pra evitar este trampo. Mas agora é enfrentar o vento até a universidade. Uns 15 min. Chegando lá vc passa duas portas e tira a toquinha, a luva, o cachecol, o casaco, e pensa que é claro que vai ter que tirar a blusa de manga, afinal vai passar algumas horas aqui dentro. Mas em 20 min te convidam pra tomar um café na esquina. E vc fica calado enquanto pondera se vale a pena fortalecer laços sociais tomando o cafezinho ou ser levemente anti-social e evitar a maratona dos agasalhos.

Vou inventar uma bolha térmica, dentro da qual seja possível enfrentar até -40 °C de jeans, tenis e camiseta. Vai ser uma revolução!

Neve. É branca, e...?



Resumido, este era todo o meu conhecimento sobre a neve até a semana passada.
Agora eu sei que ela escorrega quando vira gelo (e se você não colocar sal na entrada da sua casa, dizem que nem correspondência chega),  que cai dentro do ollho (nada acontece, mas não é da dez sensações mais agradáveis),  que é mais quentinha que o vento (e por isso não faz diferença nenhuma tentar não pisar nela na esperança de congelar menos seus pés), e que é linda! E não precisamos de guarda-chuva, porque ela é seca. Ah, pode rir, mas a pergunta era justa, vai...  até então pra mim, água caindo do céu = guarda-chuva, independente do estado da água.  E neve não tira o senso de humor do povo daqui. Na rua eu me deixei enganar pelas caras fechadas, encolhidas, escondidas ou bravas enfrentando os -13°C, armadas com toquinhas e cachecóis. Mas chegando em casa eu vi bonecos de neve, uma carinha sorridente desenhada com gelo numa árvore, e até um iglu  (contruído por um vizinho iraniano, claro). Não consigo imaginar alguém ranzinza fazendo isso.
O tempo é mega seco. Todos os cremes pegajosos que eu nunca usava no Brasil, aqui são fichinha. A boca racha, o nariz sangra, a pele coça e vc aprende: protetor labial, vaporizador no quarto, quilos de hidratantes... e fica tudo normal. Menos o cabelo, que deve ser um nível mais avançado de aprendizado. Fica uma palha. Brilhante, mas palha. Vai saber...
E tem os choques! É tentar dar um beijinho na boca e só falta sair faísca. Faz até barulho, juro! Coisas desligadas também dão choque. Diz minha irmã que às vezes o cabelo fica “elétrico” e cola inteiro na cara. Vou pedir pra ela filmar.... tenho que ver isso!

Internacionalidades


Toronto deve ser realmente a cidade mais internacional do mundo.
Sendo brasileira, e sabendo a fama que temos mundo afora, confesso que estava um pouco apreensiva quanto à recepção que teríamos. 5 dias depois de chegar, ainda não sei o que os canadenses acham de nós, porque ainda não conheci um  único deles! Ao menos nenhum que tenha nascido aqui.
Fomos recepcionados por um casal de cientistas norte-americanos, que nos hospedaram e nos apresentaram a um casal belga-porto-riquenho – que por sinal nos emprestaram a casa! E ainda dizem que em países frios as pessoas não são hospitaleiras... Abrimos conta bancária com uma simpática moça da turquia, compramos celulares com um homem do paquistão que sente muitas saudades do clima ameno, aprendemos como conseguir um número de seguridade social com uma moça de Macao cuja avó ela acredita ter tido um caso com um portugês, fui chavecada por um mocinho (muito bem construído) do Irã, que conversava animadamente com um russo na fila da biblioteca, e fiz amizade com uma menina espanhola que também faz dança do ventre e adora abraços. Em comum, todas estas pessoas eram sorridentes e cheias de dicas. Acho que estou apaixonada por este povo!   Já pelo clima.... nem tanto.

Chegamos!





Nossos últimos dias no Brasil foram super festivos: deixamos nossa casona na praia = festa; H defendeu a tese = festa; minha tia fez aniversário de 50 anos dia 15 (= festa dia 13, 14, 15 e 16, mas perdemos os dois últimos dias), ou seja, estávamos quase desmembrados de tanta bebida, correria, comilança e sono. Foram 10 horas de vôo, mas ainda assim entrei no avião, comi, dormi e acordei em toronto. Dizem que houve muita turbulência, mas isso só deve ter servido para eu dormir mais gostoso. Não vi nada.

Chegamos. Demos sorte com o clima: a temperatura era a máxima da previsão ( -8°C). No aeroporto, tudo quentinho. Pouca fila na checagem de documentos, pouca fila no setor de imigração, e aí foi só esperar nossas malas, que felizmente nem chegaram a ser abertas pela inspeção. Só fiquei triste em ter perdido meu guarda-chuva...
O Professor importado do H chegou para nos buscar, trazendo casacos, luvas, gorros e cachecóis. Parece que isso é comum por aqui: os nativos, quando vão buscar “tropicais”, já levam todo o equipamento básico de sobrevivência. Sorte nossa!
Foi a primeira vez que vi neve. Lindo mesmo. Engraçado para mim ver tudo com cara de freezer. O estacionamento, de longe, parecia um cemitério: uma porção de coisas claras, retangulares, enfileiradas.
O Professor mora com a esposa, também bióloga, em um bairro lindinho, nos arredores da cidade. A sensação foi a de entrar num brinquedo de natal: todas as casinhas parecidas, com árvores secas, tudo coberto de neve, bem bonitinho.


Nos deram diversas instruções gerais sobre a cidade, mapas, camas e toalhas. Uns fofos! Gostaria de ainda ter a casona na praia, só para poder convidá-los para umas férias no verão, e mostrar o parque em que eu trabalhava, com suas dunas, rio, restinga, floresta, os amigos.... Vou sentir saudades daquela vida.

Coisas de aeroporto


Ok família, com 15 dias de atraso, mas vamos começar do começo.
Chegamos em São Paulo com todos os nossos pertences: 4 malas grandes (em voos internacionais são permitidas 2 malas de 32 kg cada por pessoa) e 4 pequenas (uma bagagem de mão de até 8 ou 10 Kg e uma bolsa por pessoa) e meu lindo guarda-chuva (sim, vc tem direito e levar um no avião). Pouco, se pensarmos que isso é tudo o que temos. Já se for pra carregar... é coisa pra k...  Mas isso era o de menos. Duro foi esperar mais de 12 horas no aeroporto. Chegamos cedo demais, com medo das enchentes de sampa. Vários fastfood e lojinhas depois, o negócio foi pagar a facada de 25 pilas pra usar a rede wireless do aeroporto e dormir no chão pra esperar.
Nosso plano inicial era ficar em um albergue até que nosso apartamento estivesse pronto. No último dia fomos convidados para ficar na casa de um dos professores do H – alegria!  o albergue custaria uns 80 dólares por dia pro casal. Sem grana, nada de charminho. Mas era o último dia, e eu não havia comprado nada que pudesse servir de presente para gringos. Muito chato chegar de mãos abanando, então lá fomos nós procurar alguma coisa no aeroporto.
Deve haver alguma lei obrigando lojas de aeroportos a serem tão caras quanto bregas. Qualquer lojinha natura daria de dez a zero nas coisas que encontramos em Guarulhos. Era uma tal de piranha empalhada pra todo lado que não dava pra entender. Acabou que tentamos o clássico da falta de originalidade: hidratante amazonico de cupuaçu, caixa de bombons (também amazônicos, que costuma ser sucesso na gringolândia) e livrinho de fotografias do BraZil. O livro nós compramos em livraria do aeroporto mesmo, mas mesmo assim, ao pagar a conta do freeshop, quase tive um filho verde de bolinhas roxas: 100 reais!! Os preços que eu havia visto eram em dólar... ridículo! Uma mini caixa de bombons (que depois decobri serem bem ruinzinhos) custou quase 50 reais! Ultraje. Não repitam meu erro. Na dúvida, passem num mercado municipal, comprem um bom café, um livro de fotos, ou um caminho de mesa coloridíssimo de “filé” e façam seus amigos felizes!  Nada de lojinhas de aeroporto. Foi mal, Brenda!