terça-feira, 11 de outubro de 2011

Thanksgiving

Thanksgiving



Hoje foi feriado. Não que isso mude muito minha vida (de desempregada há uma semana), mas o bacana é que é Thanksgiving. A festa teria surgido como uma comemoração de agradecimento pelas colheitas, e hoje em dia é comemorada com peru, tortas de abóbora, e todos os parentes disponíveis.

Até queria experimentar a tradição, mas já que eu não tenho família por aqui, nem nenhuma paixão especial por torta de abóbora, fui caçar algo fazer. Foi quando recebi um convite de um amigo colombiano pra ir a um parque de diversões chamado Wonderland. Ele tinha tickets extras, pra mim e pro H. FEEEELOMENAL!!
Sol, calor (muita sorte, pq já era pra estar frio e chovendo). E sem filas, pq a cidade inteira estava em casa comendo peru com a família!  Tudo isso, junto com a maior montanha russa do Canadá. Pura magia!


Ficamos pulando de um brinquedo pro outro, e eu ali, chocada com o namorado do meu amigo. É o gay mais macho do mundo! A gente lá, se esgoelando, e ele tranquillíssimo, despencando calmamente dos 70m de altura.

Mas ficou ainda melhor: o plano deles era voltar à noite, porque o parque faz Halloween.



É muuuuuito legal.

Parque de diversões à noite já é sinistro. Lembra “Palhaços Assassinos”, sei lá. Agora imagine a sensação com músicas macabras em todos os lugares. E eles decoram TUDO! Túmulos, teias de aranha, projeções nas paredes, fumaça, água vermelha... e pra ficar perfeito, funcionários fantasiados que te perseguem.  Lobisomem, corcundas, duendes, bobo da corte, vampiros, mascarados...  e o melhor era o Ruan soltando a franga total, cada vez que um desses chegava perto.  Eu não sabia mais se gritava ou ria. 




E 14 casas mal assombradas!! Fomos a 13. Nem dá pra chamar de “casa”, porque era muito mais elaborado. Por exemplo: Colhedores de milho. Dá muito medo. Acho que depois de tanto filme, eu tomo susto até com milho enlatado!  Mas eles montam um corredor tortuoso estreito, com palha e pés de milho seco, música e barulho de corvo, gritos, um monte caveiras, “sangue”, e gente fantasiada que surge do nada, pra tentar te dar um ataque cardíaco. Acho que eu tive uns 3 só ali. Mas os ataques de riso e o pavor do Ruan valiam a pena. Acho que H ainda tá com marcas, de tanto que apertei o menino.



Eram vááários ambientes: Mineração, Hospício, Londres antiga, Boate , Casa de Doces...  só não deu tempo de ir na dos palhaços. Mas acho que essa traria pesadelos. Talvez tenha sido melhor...

Ainda deu pra ir mais 2 vezes na montanha russa gigante. Muito mais legal à noite! Lindo demais com o parque iluminado! E mini shows. Bons e péssimos. Esse aqui eu gostei. Ao  vivo é muito mais legal que na filmagem, mas dá pra vcs terem uma idéia.

E no fim, foi o melhor Thanksgiving que eu poderia imaginar! Ano que vem quero fazer igualzinho. E ver os palhaços.

domingo, 2 de outubro de 2011

Lidando com as diferenças






As pessoas aqui são super educadas. Exceto os condutores de streetcar (bondinhos), mas isso é outra história. Dizem que canadense é conhecido por dizer “I´m sorry” (me desculpe) o tempo todo, e é verdade.
Exemplos: na Craiglist as pessoas estão oferecendo várias coisas de suas casas, de graça, e ainda dizem “ não posso providenciar a entrega, me desculpe”.   Fui devolver um DVD à biblioteca, e expliquei que não estava funcionando (um pouco preocupada com a possibilidade de quererem me cobrar por danos ao material, se achassem que a culpa era minha). Sem brincadeira, a moça me pediu desculpas umas 7 vezes, e se ofereceu outras 3 para tentar buscar outro DVD igual nas demais bibliotecas. Fiquei emocionada.

Mas as diferenças culturais às vezes me deixam fora de lugar. Algumas coisas que parecem totalmente naturais para eles, podem soar ofensivas para mim.

Cena: barzinho bacana, todos conversando animadamente, o garçon chega para pegar os pedidos e se desculpa por não ter conseguido entender: “me desculpe, não entendi porque as mocinhas estavam gritando”. Eu queria bater nele! E nem era eu que estava “gritando”. As meninas estavam conversando na boa. Soou super mal para mim, mas ninguém pareceu estranhar.

Cena: vou (de novo!) à biblioteca, que tem um sistema de coleta de material automático: envolve uma bandeja, um leitor de código de barras e poucos comandos no computador. Eu não sabia fazer, e a mocinha foi me ajudar: “faça isso, agora aquilo, aquilo outro...” e eu fui tentando seguir. Quando eu errei, ela simplismente disse “siga as ordens”. Me senti uma besta quadrada. Mas eu vi na cara dela que não estava sendo mal-educada. É só uma frase que soa mal em português. E há váaaarias assim.  O pior é pensar que também deve haver várias que eu digo porque soam normais em português, mas que devem soar grosseiras en inglês. Espero que alguém me avise...

Eu li em algum lugar “toda verdade absoluta é cultural”. Bem, eu ainda acho que a água, ao nível do mar, ferve a 100°C, independentemente de suas crenças e origens. Mas realmente a maior parte das nossas verdades são culturais. Vi uma enfermeira brasileira contando no blog que não podia falar pra ninguém que dava banho nos bebês várias vezes por dia no calor – disse que as mães aqui acham que banho em bebê não pode ser todo dia porque faz mal.

Ela disse também que ficava louca de ouvir as “desvantagens” da amamentação, que divulgam por aqui. Só para vcs terem idéia, uma das “desvantagens” é que o pai pode se sentir excluído – ao que H prontamente respondeu “ah é? Eles acham que só pai pode?”

O cara mais bacana do mundo



Eu trabalho com o cara mais bacana do mundo.

Ele é assim: super gostosão, super inteligente, incrivelmente bom dançarino,  teve diversas namoradas, todas parecidíssimas com atrizes maravilindas, aprende tudo instantaneamente, super popular, excelente professor de dança, mesmo tendo começado há 3 meses. Como eu sei de tudo isso? Ele ME DISSE! 

Ele também me disse que ficou chocado quando eu avisei que ele estava sendo um pouco arrogante no trabalho, e que isso não era legal. Mas me enganei, claro. Ele me disse que de forma nenhuma é arrogante, e que nunca ouviu isso de ninguém. Deve ter sido só impressão.
Minha, e dos 4 outros instrutores que trabalham ali.

Pra quem queria férias...

        



Hoje eu fui gentilmente despedida.

É, porque não fiz nada errado, então a chefa foi sutil. Sou pontual, esforçada, fico até mais tarde pra treinar, os alunos gostam de mim, o pessoal do trabalho também, colaboro com a organização do ambiente, me empolgo nas festinhas, e tal.

Acontece que uma ex-instrutora (e excelente dançarina) está voltando, e não vão mais precisar de mim.
É claro que também deve ter contado o fato de que todo mundo ali  começou a dançar seriamente por volta dos seis anos, com balé, jazz, sapateado, danças tradicionais e hip hop na adolescência. Daniella começou a competir aos 9. Eu descobri o que era Rumba aos 31,  seis meses e meio atrás. É, talvez isso tenha contado.

Mas não me arrependo. Acho que minha idéia foi brilhante: eu queria aprender a dançar, e não tinha grana. Então me ofereci pra ensinar os outros, claro!  Até agora me surpreende o fato deles terem concordado. Cada calo, bolha, pisadas e outros acidentes foram válidos.

Agora é pensar qual vai ser a próxima aventura, antes que a grana acabe.

Me desejem sorte!!

Enquanto isso, agora que não tenho mais problemas morais em falar de colegas de trabalho (porque não trabalho mais com eles), vou postar alguns desabafos de meses anteriores.